• Cristina Horst

TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE A RESERVA DE EMERGÊNCIA

O QUE É?

Pensa comigo: você é funcionária de uma empresa e acabou de voltar das suas férias. Mas na volta da viagem o seu carro teve um problema e os custos de oficina ficaram bem elevados. Sabendo que passaria um pouco de aperto, ainda assim decidiu dividir o valor em poucas prestações, no entanto, a empresa teve que passar por um corte de gastos e você foi dispensada. Assim, seu dinheiro que estava contadinho vai diminuir ainda mais. O que você faz nesses momentos?

A resposta mais comum e óbvia e comum seria recorrer a empréstimo com banco, que vai ficar um pouco mais difícil com você sem emprego fixo, ou mesmo com familiares, caso você tenha alguém com esse dinheiro disponível, o que também é raro.

A reserva de emergência surge para te ajudar justamente nesses momentos de aperto financeiro, para que você tenha tranquilidade para lidar com todos os outros acontecimentos. Ela reserva serve como um colchão de segurança, que vai amortecer a sua queda.

Quando passamos por momentos difíceis a nossa capacidade de tomar boas decisões, especialmente financeiras, fica abalada. Por isso, ter uma reserva financeira vai te ajudar a passar por esses momentos com mais tranquilidade.

Lembra em março desse ano quando começou a pandemia e muitas pessoas tiveram, de uma hora pra outra, a sua fonte de renda suspensa? Por motivos de saúde e biossegurança precisamos ficar em casa e isso impediu que muita gente continuasse trabalhando e garantindo o seu sustento. Foi um momento muito difícil, mas certamente quem já contava com essa segurança financeira conseguiu passar por esse momento com uma preocupação a menos.

A reserva de emergência é composta por um montante financeiro que você vai reservar para utilizar apenas e somente em momentos “emergenciais”, que são aqueles momentos que você sente que não tem a quem recorrer a não ser a um empréstimo. E aí é o momento onde você empresta o dinheiro a você mesmo, com a maior vantagem de todas: sem pagar juros.


PRA QUE SERVE ?

Ela serve pra te dar segurança financeira em situações imprevistas que impactam seu orçamento, como no caso de perder o emprego, um acidente de carro, ou mesmo uma doença ou período de quarentena como o que passamos. Mantendo a reserva você terá mais tranquilidade para tomar decisões em momentos emocionalmente desafiadores.

Todas as pessoas, sejam elas contratadas com carteira assinada ou não devem contar com a sua reserva de emergência. Essa é uma forma de se prevenir de situações que hoje são imprevistas.


QUANTO PRECISA TER?

Agora que você já entendeu a importância de ter a sua reserva vamos ao passo a passo de como montá-la.

Pense o seguinte: quanto dinheiro você precisa pra sobreviver por mês, caso perdesse sua fonte de renda? Multiplique esse valor por alguns meses e essa será a sua meta de reserva de emergência!

Se você for uma trabalhadora com carteira assinada, ou que recebe um valor fixo todos os meses, o ideal é que tenha guardado em sua reserva de emergência o equivalente a seis meses desse salário. Eu sei que parece muito, mas é o valor que vai te garantir manter o mesmo padrão de vida caso algo aconteça e impacte drasticamente as suas finanças.


Se tiver renda fixa (salário):

Renda atual (salário) x 6 = reserva de emergência completa


Já no caso de você ser autônoma ou simplesmente não saber ao certo quanto terá de receitas em cada mês, o ideal é calcular doze meses do seu custo de vida. Pra saber qual é o seu custo de vida você pode pensar o seguinte: qual é a média que você teve de gastos nos últimos três meses? Se ficar difícil lembrar, vai lá e consulta seu extrato bancário. Essa informação é extremamente importante. Quando você descobrir a sua média de gastos mensais, é só multiplicar por doze. Essa é sua meta de valor para sua reserva de emergência.


Para renda variável, como os autônomos:

Custo de vida (com base na média dos últimos 3 meses) x 12= reserva de emergência completa


Eu sei que parece um montante muito alto, mas não se engane: caso algo que impacte as suas finanças de forma considerável aconteça com você, esse dinheiro vai ser muito importante, então o esforço para chegar nesse valor realmente vale à pena. Lembra que a proposta é ter um montante para “emprestar” pra você mesmo?


COMO MONTAR?

A proposta é de que assim que você souber quanto precisa ter na sua reserva completa, comece a poupar mensalmente pra alcançar esse valor. É como se fosse um dízimo ou um boleto, que você vai pagar todos os meses pra você mesmo.

A dica é começar aos poucos. O ideal é que você consiga guardar 10% da sua renda líquida por mês. Ou seja, guardar 10% de tudo que você recebe na sua conta no mês.

Muito cuidado viu, se você deixar pra guardar esse dinheiro só no final do mês, a chance de chegar lá e não ter sobrado nada é muito grande. Então a dica de ouro é já guardar o dinheiro no momento em que você receber, no começo do mês.

Vale lembrar que nada impede que os aportes sejam realizados em quantia maiores. O importante é manter o foco em alcançar esse objetivo. Mas se essa proposta dos 10% ainda for muito difícil, comece com um percentual menor, mas o mantenha religiosamente, pois 1 é melhor que zero. Quanto mais cedo você começar, mais rápido vai chegar ao objetivo que você estabeleceu.


ONDE DEIXAR ESSE DINHEIRO?

Como esse dinheiro é o que vai te dar a segurança no momento em que você precisar e como nunca saberemos qual momento será esse, ele precisa estar em um lugar que você consiga acessá-lo rapidamente.

O tempo que você levará para ter esse dinheiro na sua mão novamente é muito importante, porque como a gente bem sabe a emergência não espera. Então não adianta pensar em deixar ele investido em lugares onde você não poderá retirá-lo rapidamente. Seu dinheiro precisa ter liquidez, ou seja, voltar rapidamente pra sua mão na forma de dinheiro vivo.

Outra questão que você deve considerar é a segurança. Não adianta pensar em deixar esse dinheiro embaixo do colchão, porque ali ele está acessível, mas é muito arriscado. E se alguém rouba esse dinheiro? Você ficaria desprotegida novamente. Então devemos estar atentas também ao risco que aceitamos correr com esse dinheiro, por isso, aplicá-lo em qualquer tipo de investimento de renda variável JAMAIS será uma boa ideia.

Isso porque na renda variável você não tem segurança nenhuma nem de que seu dinheiro vai render, nem de que ele vai voltar pra você. Então o melhor é buscar lugares com mais segurança, porque já pensou se você precisa desse dinheiro e ele simplesmente desaparece? Não é isso que queremos né?

Considerando todas essas variáveis significa que você precisa então encontrar investimentos para esse dinheiro que te garantam acessibilidade, segurança e liquidez.

Aqui entra a parte de pesquisar e encontrar o lugar que você se sinta mais confortável em deixar o seu dinheiro.


Vou te falar quatro opções para esse dinheiro:

- Tesouro direto na aplicação do Tesouro Selic. Esse investimento vale à pena se o valor que você for investir for de até R$10.000,00. Ele é super seguro, pois tem a garantia do Tesouro Nacional. Além disso, você pode solicitar o resgate do seu dinheiro a qualquer momento, e assim que o fizer, demora em média 1 dia útil para o dinheiro voltar pra sua conta e estar disponível. Para aplicar seu dinheiro lá você precisará da intermediação de uma corretora de valores. O rendimento é de 100% da Selic, que é a taxa básica de juros.

Link para consulta e mais informações: <https://www.tesourodireto.com.br/>

- CDB (Certificado de Depósito Bancário) de liquidez diária: CDB funciona como se você estivesse emprestando o seu dinheiro para o banco, pois é um título de renda fixa emitido por eles. Ser de renda fixa significa que você já sabe quanto ele vai render no momento em que contratar. Se optar por esse tipo de investimento, escolha um CDB que tenha liquidez diária, ou seja, que não tenha prazo mínimo pra você poder resgatar o seu dinheiro. Você pode adquirir um CDB tanto nos bancos quanto nas corretoras. Dê preferência aqueles com rentabilidade superior a 100% do CDI, que é o certificado de depósito interbancário.

- Contas em bancos digitais com rendimento (RDB’s - Recibos de Depósito Bancários): esse tipo de investimento é muito parecido com o CDB. Para investir nele é imprescindível que você abra uma conta algum desses bancos e que tenha esse tipo de investimento. Em regra esse rendimento também está atrelado ao CDI, pra valer à pena, o rendimento precisa ser pelo menos igual ao CDI, ou seja, render 100% do CDI. Esteja atento para escolher uma instituição séria, por isso estude e pesquise antes de tomar essa decisão.

- Poupança: além de segura é de fácil acesso, mas tem um rendimento menor que as outras opções. A poupança tem duas questões importantes: a primeira é que ela só rende na data de aniversário, ou seja, se você retirar o dinheiro no 29º dia (1 dia antes dele completar o ciclo de 30 dias a partir da data de investimento), ele não terá o rendimento desse período. Diferente das opções anteriores que rendem diariamente. A segunda é que apesar de não ter a incidência de imposto de renda sobre os rendimentos, ela rende um pouco menos: 70% da Taxa Selic, que é a taxa básica de juros.


Vale lembrar que o CDB, o RDB e a poupança contam com a segurança do FGC – que é o Fundo Garantidor de Crédito em até R$ 250.000,00 por CPF. Isso significa que se a instituição na qual você investiu tiver algum problema e chegar a falir, por exemplo, o FGC garante que você receberá o seu dinheiro de volta. Isso dá segurança a esse tipo de investimento. No site do FGC tem a lista de instituições associadas para que você possa consultar.

Link para consulta: <https://www.fgc.org.br/garantia-fgc/sobre-a-garantia-fgc>


O importante é você saber que não existe uma única resposta certa sobre onde deixar esse dinheiro. Tudo vai do quanto você se sente confortável com a sua escolha.

Lembre-se também que o dinheiro da reserva de emergência serve para te deixar seguro e não rico. Por esse motivo o rendimento desses investimentos mencionados são bastante conservadores, pois eles mantém o seu dinheiro seguro e acessível para ser retirado a qualquer momento.

Não há verdade única e absoluta, só você conhece suas prioridades e é capaz de dizer o que faz sentido na sua vida nesse momento. A dica mais importante é: pesquise, estude e escolha a opção que tem mais a ver com o seu perfil e comece o quanto antes!


RESERVA DE OPORTUNIDADE

Esse também é um dinheiro que você junta, como no caso da reserva de emergência, mas a finalidade dele é outra: utilizá-lo para aproveitar as oportunidades quando elas surgirem e não lamentar pela falta de dinheiro.

Eu tive um caso assim em 2019. Eu guardava um dinheiro para em algum momento fazer um intercâmbio, mas não sabia bem quando. Foi quando meu irmão me avisou que iria com a minha cunhada passar 1 mês fora. Eu aproveitei que já tinha o dinheiro e fui também, porque graças a isso consegui economizar uma boa grana na viagem, dividindo o apartamento e várias outras coisas durante a viagem.

É pra esse tipo de situação que existe essa reserva e ela deve ser construída da mesma maneira que a reserva de emergência, mas os valores não podem se confundir, tá bem?

Porque não adianta nada você gastar todo o dinheiro com uma boa oportunidade e na sequência ter uma intercorrência, precisar do dinheiro e não ter mais nada. A dica aqui é tomar o cuidado de separar esses valores e ter muito claro como cada um deles poderá ser utilizado.


Lembre que o dinheiro é um meio e não um fim, por isso que o utilizemos com inteligência e sempre para o bem e em coisas que nos tragam felicidade!