• Cristina Horst

Quero sair da CLT para empreender mas não sei por onde começar


A decisão de empreender é um passo tão importante quanto um casamento: é quando você decide com quem vai dividir a sua vida (pelo menos a profissional).

Esse é um ato de coragem. Exige deixar a zona de conforto, a garantia do décimo terceiro, das férias remuneradas e outros tantos benefícios. Em contrapartida sacia aquela parte que grita alto e pede mais liberdade e autonomia para tomar as próprias decisões.

Se você está vivendo esse momento de dúvidas e continua com aquela vontadezinha de ter o próprio negócio, vou te dar aqui algumas ideias para construir um plano para começar a materializar sua ideia de negócio.


1. Plano de saída

Pedir demissão sem um plano é um grande risco para a sua saúde mental e financeira. Quando as coisas com o dinheiro não vão bem, o cansaço e o desgaste mental também começam ficam mais pesados.

Para ter alguma proteção para esse momento de incerteza e instabilidade, a saída é criar o seu “colchão financeiro”. Esse é o dinheiro que vai “segurar as pontas” até a seu negócio estabilizar.

Aqui estamos falando de um valor que consiga cobrir o seu custo de vida, por no mínimo seis meses.

Ao contrário do que muita gente pensa, o começo do negócio nem sempre é um sucesso de vendas instantâneo, e mesmo que seja, a grana que entrar no negócio ainda não é sua. Antes de se tornar parte da sua renda, esse dinheiro precisa pagar fornecedores e todos os outros custos que a própria atividade vai impor.

Eu sei que juntar tudo isso pode soar desanimador, mas essa grana é fundamental para garantir aquele fôlego necessário no começo da sua vida empreendedora. Aproveita o tempo que você vai levar para acumular esse montante para ir planejando a atividade!


2. Planejamento da atividade

O ponto de partida é saber qual é o negócio que você quer ter. A partir disso você começa a refinar a sua ideia de negócios. Existe uma ferramenta chamada “Canvas - modelo de negócio” que é muito útil na tarefa de tirar as ideias da cabeça e visualizar o seu negócio como um todo.

Eu sou facilitadora dessa metodologia e inspirada nela vou usar aqui algumas ideias e perguntas que para te orientar no detalhamento e visualização da sua ideia de negócio.

O que: o que você vai vender: produtos ou serviços? Em qual formato: venda pontual, recorrente, varejo, atacado, etc.?

Quem: Para quem você vai vender? Qual é o perfil desse futuro comprador? Quais as necessidades desses clientes que o seu negócio vai satisfazer? Quem são as parcerias que podem contribuir para solidificar a sua ideia de negócio?

Essas respostas vão te orientar na construção da estratégia de marketing e mesmo na adequação do formato do seu negócio.

Porque: o que vai levar essas pessoas a consumirem de você? Qual é o seu diferencial? Porque o seu produto ou serviço oferece uma melhor solução ao problema do seu potencial cliente, do que a solução oferecida pelo concorrente?

Como: qual vai ser o formato desse negócio: presencial, on line ou híbrido? Como você vai se relacionar com esse cliente?

Onde: onde estará localizado seu negócio? Qual a estrutura que você precisará manter para a prestação desse serviço ou venda desse produto?

Quanto: quanto vai custar iniciar essas atividades? Qual o valor de investimento necessário?

Recomendo que dedique tempo para analisar e responder essas questões, pois elas serão o pontapé inicial para desenhar o formato e posicionamento do seu negócio.

Nesse processo de lapidação é muito comum que as respostas mudem, justamente porque estamos buscando a melhor versão da ideia.

Seja paciente e persistente nessa tarefa que ela certamente lhe trará muitas das respostas que direcionarão seus próximos passos.


3. Será que é isso mesmo?

Qual é a sua expectativa com esse novo negócio? Para essa resposta você precisa ter os pés no chão e confrontar razão e emoção. Ser realista não é tarefa fácil, mas é a tarefa essencial que vai te livrar das próprias armadilhas do super otimismo.

Aqui ainda tenho uma dica adicional: a do teste.

Isso mesmo, antes de decidir deixar o seu trabalho atual para empreender, teste a nova atividade a que você se propõe.

Crie o seu “mínimo produto viável”, que é uma experimentação do seu futuro negócio com as ferramentas que você tem hoje.

Vou dar um exemplo: antes de me dedicar exclusivamente à atividade de consultora eu trabalhava com carteira assinada. Para saber se era essa mesmo a profissão que eu queria ter pelos próximos anos, eu experimentei: na época eu não tinha um método detalhado como hoje e também não dispunha de muito tempo. Então, decidir ofertar a meus amigos algumas aulas de finanças pessoais. Na época ainda não tinha material editado, planilha com logo, material de apoio, nada disso formatado.

Comecei com o que tinha: com as ideias na cabeça, o conhecimento à disposição e cobrando um preço simbólico, somente para validar minha ideia de negócio, entender se era isso mesmo o que eu queria e iniciar o processo de lapidação da ideia.

Não sei qual é o seu caso, mas já adianto que vai exigir criatividade e a coragem de começar com o que você tem hoje, sem esperar o cenário ideal e ainda sem ter todas as condições ideais e favoráveis para o seu negócio.

Aproveita essa chance para aprender e refinar seus processos, assim você se sentirá mais preparado para quando o negócio for para valer!


Por fim...

Não tem como saber se vai dar certo ou não porque aqui ninguém adivinha o futuro. E justamente para não depender de sorte é que você deve usar o planejamento a seu favor.

Prever os possíveis cenários vai te deixar mais seguro para tomar decisões.

Espero que essas ideias te encoragem a testar, experimentar e futuramente decidir se quer mesmo essa mudança profissional. Se não for isso, não tem problema, o que você não pode é se manter frustrado por nunca ter tentado.

Mas se for isso mesmo, se prepare, programe e comece por esses passos aí. E se precisar de uma ajuda, me chama AQUI!

A jornada não é fácil, mas te garanto: é recompensadora.

Até a próxima!