• Cristina Horst

PORQUE EU PRECISO TER UM SALÁRIO SE EU TRABALHO SOZINHO?


Ser empreendedor é aprender a lidar com incertezas. Em alguns meses as coisas vão muito bem e você ganha muito dinheiro, em outros meses as coisas não saem bem como o esperado e aí está feita a confusão: vida pessoal e empresarial bagunçadas.


Pra começarmos a desatar esse nó e enfim te proteger dessa oscilação, você precisa entender que o dinheiro que você recebe não é 100% seu!


Antes de o dinheiro ir efetivamente pro seu bolso é importantíssimo que você separe o valor para cobrir os custos do seu negócio, que incluem o pagamento de fornecedores, aluguel, gasolina e o que mais estiver incluso na sua atividade profissional. Ignorar esses custos pode inviabilizar a continuidade dessa atividade que te proporciona a entrada de dinheiro!


Imagina comigo a situação da dentista Sandra. Ela tem apenas uma conta, onde coloca todos os recebimentos dos clientes. É de lá que saem os pagamentos das contas do consultório, que acontecem sempre perto do dia 15. E é de lá também que sai o dinheiro para pagar a sua fatura do cartão de crédito, que vence sempre no dia 10.


Nesse mês, ela não sabe muito bem o que aconteceu, mas teve alguns imprevistos com o carro e a fatura do cartão veio super alta por causa do valor pago ao mecânico. Por conta disso, não vai ter dinheiro para pagar os fornecedores na data combinada. E sabe o que é pior? Seus materiais estão acabando, porque ela fez vários atendimentos pelos quais ainda não recebeu e precisa urgentemente fazer um novo pedido de material.


Mas agora, sem limite no cartão e sem crédito com o fornecedor, como ela vai conseguir continuar os atendimentos?


Esse exemplo deixa bem claro o problema que você pode criar ao misturar as contas.



Mas e aí, como saber qual é o dinheiro que você pode retirar da empresa sem comprometer o fluxo de caixa?


A resposta mais simplista pode te dizer que a melhor alternativa é realizar a retirada após descontar todos os custos do valor recebido no mês. Essa alternativa funciona, mas ainda assim pode acabar comprometendo as suas contas quando o faturamento oscilar e for muito abaixo da expectativa. Equilibrar as contas nessa condição fica igualmente complicado.


Minha alternativa favorita é a de estipular um salário pra você. Isso mesmo, estou falando de remunerar a sua atividade empreendedora, como se você fosse um funcionário. Agir assim vai te dar mais previsibilidade quanto à sua possibilidade real de consumo pessoal, além de diminuir bruscamente as chances de você confundir qual dinheiro é seu e qual pertence à empresa.


O mais importante dessa dinâmica é deixar claro que o seu custo de vida pessoal não pode se sobrepor à capacidade de pagamento da sua empresa.


Vamos retomar o caso de Sandra, se o custo de vida dela for superior ao que o consultório consegue pagar de modo financeiramente saudável, ela tem então duas alternativas: aumentar o faturamento do consultório, ampliando os horários de atendimento, por exemplo, ou então diminuir os gastos com a vida pessoal. Se ela não tomar uma atitude para equilibrar essas contas, ela vai acabar com uma situação financeira bastante complicada.


Estabelecer um valor para a sua remuneração vai ter dar mais liberdade e tranquilidade para suas decisões, inclusive criando uma proteção para que as eventualidades da vida pessoal não impactem na saúde financeira da sua empresa.


Escolha o formato que te parecer mais apropriado e comece a remunerar o seu trabalho. Eu sei que logo de cara vai ser difícil acertar “na mosca”, mas é muito mais fácil lidar com pequenos ajustes no caminho, do que continuar a lidar com as suas finanças quase que na base da sorte.



 

Em tempo: meus queridos, liberei recentemente o E-book "Guia Essencial das Finanças para o Autônomo de Sucesso”


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