• Cristina Horst

GUIA DAS FINANÇAS PARA AUTÔNOMOS E PROFISSIONAIS LIBERAIS

Quando a gente tem um sonho e age por propósito é comum se deixar levar pela romantização das questões. Quando a romantização está no comando dificilmente o lado racional permite a entrada da inoportuna questão: como é que você vai pagar as contas?

Sem o entendimento mais realistas da questão, não há romantização que resista.


Minha renda muda muito, nunca sei o quanto vou receber!

A renda variável é um grande terror de quem migra da segurança da carteira assinada para o maremoto que é a vida do empreendedor por que além de não saber quanto você vai receber, esse valor ainda vem espalhado durante o mês.

Não se engane: acreditar que as contas mentais vão dar conta do recado só vai te atrapalham no processo! Conhecer como e quanto é a sua receita é importante pra organizar a sua vida e conseguir manter o mínimo de previsibilidade. Então deixa já as desculpas de lado e adote alguma forma de controle, que pode ser anotação no caderninho, planilha ou aplicativo.

Vale lembrar que não existe apenas uma forma certa de anotar ou controlar seus gastos. A resposta pode ser muito individual e vai depender de como você se adéqua. O jeito certo de anotar e controlar é aquele que funciona pra você e que vai te ajudar a tomar decisões mais assertivas a respeito do seu futuro financeiro.

Além disso, a falta de previsibilidade traz cansaço e com isso a vontade de desistir. Então, dê lado ao seu aspecto racional e comece com as anotações pra você identificar os padrões e poder ter mais segurança para seu planejamento.


Duas informações são essenciais para a sua vida de empreendedor autônomo: o seu faturamento máximo e o seu faturamento mensal.


Faturamento máximo: esse é o valor máximo que você pode ganhar em um mês com todos os seus horários cheios.

Pra fazer esse cálculo é só multiplicar a média de valor que você recebe por atendimento pela quantidade de horários que tem disponível.

Esse valor corresponde ao máximo que você pode faturar hoje, de acordo com o valor que você pratica pelos seus serviços e a quantidade de atendimentos que consegue realizar dentro do mês.

Faturamento mensal: faça a média do quanto vem recebendo nos últimos 12 meses. Pra isso basta somar o valor de todos os recebimentos e dividir pela quantidade de meses analisados.

A partir dessas informações já podemos realizar algumas análises importantes:

Se o faturamento máximo estiver muito abaixo do faturamento mensal, significa que você precisa investir mais esforço em completar a agenda.

Pra isso o ideal é você pensar primeiramente em quem são as pessoas que você conhece que podem te ajudar a captar mais clientes? Também é essencial pensar aonde o seu cliente ideal está, e como você pode se aproximar dele.

Com essas duas estratégias você conseguirá ter uma ideia dos primeiros passos na busca pelo aumento dos seus atendimentos.

E tem mais: estar com a agenda vazia não significa ficar ocioso. Investir na expansão da sua rede de contatos, criar conteúdo para a internet, montar grupos de estudo são alternativas para te manter produtivo e em movimento, trabalhando e se preparando para o momento de ter a agenda completa.

O atendimento ao cliente final é apenas uma parte (bastante importante, mas apenas uma parte) do todo que compõe as atividades para a manutenção da minha empresa saudável.


Nunca sei ao certo como será minha semana: a agenda e os cancelamentos

É importante ter uma política clara a respeito da sua conduta em relação aos preços e reagendamentos porque isso impacta não só a sua programação do dia, mas também o seu faturamento. O foco está em aumentar a previsibilidade, mantendo a organização da vida e do fluxo de caixa da sua empresa.

Estabelecer a sua política irá minimizar o seu impacto financeiro e dará mais segurança para seu cliente, por isso é importante que essa comunicação seja realizada logo no início do processo.

Por exemplo: cobrar de pacientes/clientes que faltam sem avisar; dar a opção de remarcar para aqueles que avisarem com x horas de antecedência, etc.


Reajuste de preços: sei que preciso aumentar, mas não sei como fazer isso...

O preço tem um papel fundamental na percepção de valor. Quando tratamos da prestação de serviços como de psicólogos, consultores financeiros, educadores físicos, entre outros, é essa percepção que vai impulsionar o cliente a se dedicar ao máximo ao processo. Isso inclusive faz com que o próprio cliente tenha mais compromisso com o processo, evitando as temidas remarcações e por conseqüência, vacância de agenda.

Quando cobramos um preço justo, por outro lado, nós mesmos estamos mais comprometidos com as entregas, pois nos sentimos valorizados.

Lembre-se que o preço é praticável desde que exista quem pague. Assim, para a sua composição sempre considere questões como a localização, o preço da concorrência, a quantidade de horas de estudo investidas, entre outros.

Não tem problema cobrar mais caro ou mais barato, o problema é não saber como está o mercado. Se está muito complicado definir o preço certo logo de cara, estime o preço e vá refinando conforme o tempo.

No momento do reajuste é necessário que o valor cubra, no mínimo, a perda gerada pela inflação. Lembre-se de que melhorias na infraestrutura e mesmo na sua qualificação profissional deve sim ser considerados.

O melhor a fazer é estabelecer uma data fixa onde o valor será reajustado para todos os clientes. E quanto antes você puder comunicar seus clientes, melhor. Na condição de autônomo lembre-se você é o único responsável pela sua ascensão profissional.

A dúvida que pode aparecer agora é: cobrar por mês ou sessão? O mais importante aqui é que você decida como fica mais confortável, sempre lembrando que pagar por mês facilita a conta do paciente e do profissional.


Preciso mesmo separar as contas?

Sem dúvidas. O mundo ideal é a separação total e completa: uma conta para as atividades profissionais e outra para as atividades pessoais.

Nesse caso, em um dia específico é realizada a retirada de um valor da conta profissional que corresponde ao seu salário (ou pró-labore). É preciso ter uma folga no orçamento para caso no próximo mês as receitas fiquem abaixo do esperado.

Há duas formas básicas de estabelecer esse “salário”: com base no faturamento do pior mês ou como um percentual sobre a média de receita.

Comece pelo que for mais simples.

Analise seus números e veja qual foi o mês de menor receita. O valor correspondente às receitas desses mês é um excelente parâmetro: depois de descontados todos os custos fixos e variáveis da sua empresa, quanto sobra? Esse valor é suficiente para cobrir seus custos de vida?

Se a resposta for não, estamos diante o dilema de qual solução será adotada para a questão: diminuir os custos de vida ou aumentar as receitas?

Se os seus custos fixos e variáveis com a empresa não forem previsíveis também, você pode determinar um percentual sobre a sua média de receitas para estabelecer seu “salário”. Por exemplo: se a sua média de faturamento girar em torno de R$ 3.000,00, você pode direcionar 30% desse valor para os custos do seu negócio (R$900,00) e destinar o restante para custear o seu padrão de vida.

Essa atitude de estabelecer um valor para a sua remuneração vai ter dar mais liberdade e tranquilidade para suas decisões.


O mais importante é que você tenha atenção às suas finanças:

1- Tenha clareza do seu custo de vida com as despesas essenciais. Aqui você deve considerar tudo o que precisa para sobreviver, como teto, alimentação, etc.

2- Em seguida conheça os seus custos variáveis e estipule um limite de gastos. Essa estratégia vai te ajudar a manter-se focado e dentro do orçamento.

3- Entenda o seu fluxo de caixa para programar entradas e saídas de acordo com os seus recebimentos. Mas se já estiver organizado, o melhor é ter um dia para realizar a retirada do seu “salário”.

4- Questione-se: se eu precisasse contratar alguém para fazer o que eu faço, o “salário” que eu retiro seria o mesmo que pagaria? Se a resposta for não, isso é um grande indício de que as contas da sua via pessoal estão acima do que a saúde financeira da sua empresa recomenda.

5- Tenha sua reserva pessoal para os imprevistos e emergências financeiros.

6- Reinvista na sua empresa e em você, que é seu principal ativo.


Lembre-se que quando você decide empreender, você é o único responsável pela sua ascensão profissional. Então entenda que você é seu mais valioso ativo!

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