• Cristina Horst

CONSUMO CONSCIENTE: COMO TRANSFORMAR A SUA RELAÇÃO COM O DINHEIRO

Consumo consciente: como transformar a relação com o dinheiro


Nossa vida seria muito mais fácil se em algum momento alguém tivesse nos ensinado, passo a passo, como cuidar melhor do nosso dinheiro, certo? Não sei como foi por aí, mas por aqui essa conversa franca e instrutiva sobre dinheiro nunca aconteceu.


E esse silêncio cria lacunas que são preenchidas pela nossa imaginação e vivências e quando o assunto é dinheiro, o resultado pode não ser muito positivo.


Pode ser daí que venham aquelas crenças que carregamos e muitas vezes são fortalecidas pela indústria do entretenimento e nos fazem acreditar que os ricos são pessoas más, que o dinheiro é a raiz de todo mal, que investimentos são apenas para pessoas ricas, que só fica rico quem fez coisa errada, que é impossível ser rico no Brasil e por aí vai...


Mas agora, como adultos é tempo de construir uma nova relação com o dinheiro e entendê-lo como meio de pagamento e não como um fim em si mesmo. Essa percepção nos alerta ao fato de que o dinheiro não traz a felicidade, mas nos permite acessar uma série de bens, serviços e experiências que nos proporcionam a tão desejada qualidade de vida.


A grande questão é: como estabelecer esses limites? O que é considerado o tal “consumo consciente”?


O consumo consciente é o ato de refletir sobre as suas necessidades e sobre as formas de supri-las, buscando maneiras de otimizar o impacto social, ambiental e econômico desse gasto.


Trata-se não só da sua saúde financeira, mas também do poder que seu dinheiro exerce na vida de outras pessoas.



Efeito multiplicador

Quando você compra, costuma ver onde os itens são produzidos? Comprar de um fornecedor local tem um impacto poderoso na economia. Além de encurtar as distâncias entre produção e comercialização, cada valor investido localmente tende a reverberar na economia por meio da ação do efeito multiplicador, podendo criar postos de trabalho e novas condições para compradores e fornecedores.


É uma estratégia indireta para a promoção do desenvolvimento em um sentido amplo, pois se trata de dinheiro injetado diretamente na economia local.

Pra você entender melhor essa relação eu te convido a imaginar quais oportunidades poderiam ser geradas em razão da compra do doce de leite caseiro da dona Maria, produzido na sua cidade.


Essa compra vai contribuir para a complementação da renda familiar da dona Maria que faz o doce, da cooperativa da qual ela participa e por meio da qual consegue adquirir o leite beneficiado a um preço justo.


Essa produção vai gerar o emprego do Joaquim, que é o responsável pelos canais de comercialização e distribuição da cooperativa e da Rosa, que é quem cuida vendas do doce de leite nas feiras livres.


Além disso, como a produção acontece na sua cidade, esse encurtamento logístico vai reduzir o número de caminhões transitando longas distâncias para levar esses produtos.


Com menos fluxo, teremos menos emissão de gases tóxicos, além de menos buracos nas estradas e menos congestionamentos.


Indiretamente, a renda da dona Maria com os doces ainda vai virar um vestido novo, que ela vai encomendar com a Lúcia, sua vizinha costureira.

Ou seja, o dinheiro inicial se multiplica e se transforma em vários outros valores, causando uma série de impactos indiretos!


Seguindo esse princípio, sempre que possível, consuma produtos fabricados localmente. Isso serve para produtos alimentícios, presentes, arte, cultura e tudo o mais que for possível. É um jeito simples de contribuir com a economia local.


Mas muita atenção, o desejo de que seu gasto seja um impulsionador da economia local não pode se transformar em um novo gatilho para o consumo não planejado.


Por isso, fique ligado nas dicas a seguir!


Identificar o que é vontade ou necessidade

Praticar a consciência na hora de consumir pode ser um desafio muito grande quando estamos acostumados a agir no "piloto automático". O segredo está em diferenciar a necessidade da vontade. Trata-se de um processo de autoconhecimento que envolve olhar para si e buscar o próprio entendimento do que é importante e necessário para você.

Antes de qualquer nova aquisição, pergunte-se:

- O que vou comprar?

- Eu quero mesmo?

- Preciso disso? Pense na finalidade e utilidade...

- Quando vou comprar? Programe-se pra isso.

- Tenho condições de pagar? Avalie a sua capacidade de pagamento.

Se as respostas forem favoráveis não titubeie, vá fundo!



Planeje as compras

O menor caminho para a realização de gastos conscientes é o planejamento. Esse ato pode te livrar de muitas ciladas e te ajudar a “gastar melhor”. Aqui vão três dicas para te ajudar a desenvolver a prática de questionar-se antes de adquirir:


1 - Crie listas: descreva o que você deseja adquirir (objetos ou experiências), e anote os valores estimados para cada aquisição. Então questione-se:

- Todos os itens são necessários?

- Quais os prioritários?

- O que você faria para adquiri-los?

Assim que tiver as respostas planeje a forma de adquiri-los.


2 - Calcule o preço total do item desejado e questione-se:

- Comprarei porque preciso ou só porque há uma “promoção”?

- Quais as consequências se eu optar pela não compra ou pelo adiamento?

- Se o item for parcelado, essa quantia comprometerá o orçamento doméstico?

- Vale à pena pagar juros para ter esse item agora ou posso esperar e juntar o dinheiro para obtê-lo à vista a um preço justo e provavelmente com desconto?

Essas respostas te trarão clareza sobre essas necessidades.

E não se deixe levar pela pegadinha das parcelas: sempre some o total de parcelas para ver quanto realmente custará aquilo que você está querendo comprar.


3 - Conheça o custo da sua hora de trabalho, assim você vai saber quantas horas você precisa trabalhar para obter o dinheiro pra comprar aquilo que você deseja.

Para isso, descubra quanto você ganha por hora dividindo o valor líquido que você recebe todo mês (o valor que entra na conta) pela quantidade de horas trabalhadas por mês.


O simples fato de questionar suas aquisições já vai lhe ajudar a rever seu padrão de consumo.

Cuidado com a "Economia Burra"

Alguma vez você já "aproveitou" alguma promoção comprando coisas que você não precisava? Se a resposta foi sim, sinto dizer, mas você fez o que chamamos de "economia burra"


Esse é o nome que damos pra quando você faz escolhas sem analisar o custo benefício e depois acaba descobrindo que essa não era a melhor opção.

Veja outros exemplos de economia burra:

- Se atentar apenas ao preço, esquecendo de conferir outros itens importantes, como no caso de comprar o curso mais barato, sem saber se o conteúdo atende as suas necessidades e se a instituição é confiável.

- Quando você economiza nas coisas erradas, como por exemplo, deixar de comprar remédios ou de cuidar da saúde pra economizar.

- Quando você contrata pacotes ou serviços que estão super em conta, mas que você não vai usar.

A grande dica é sempre analisar o custo-benefício e se preparar para suas aquisições.

Trazer essa consciência financeira é um dos papeis da educação financeira, porque a ideia não é só poupar dinheiro mas sim utilizá-lo de forma inteligente.


Como praticar o consumo consciente?

Se questionar e reavaliar as suas necessidades vai ter ajudar a acionar seus mecanismos de racionalidade.


Além disso, aqui vão algumas dicas pra te ajudar a tornar esse processo de decisão mais racional:


- Comprar de produtores e comerciantes locais e consumir a cultura de onde você vive. Essas simples ações ajudam não só a fortalecer a economia, como todos esses profissionais que estão aí perto de você.


- Buscar novos usos ou destino aos itens que não te servem mais. Que tal doar ao invés de descartar?


- Descartar os itens da forma correta, pois essa separação vai ajudar a vida daqueles que trabalham com reciclados.


- Dar uma chance para os itens que não são de primeiro uso. Eles podem ser novos apenas pra você, no seu armário ou na sua casa. Isso serve para roupas, móveis e o que mais você se sentir à vontade pra consumir assim.


- Reveja as suas formas de lazer e deslocamento: já pensou em utilizar a bicicleta como meio de transporte ou mesmo de lazer?

Um passeio no final de semana pode dar um novo sentido para paisagens cotidianas, que além de te ajudar a queimar algumas calorias, economizará gasolina e diminuirá a emissão de gases tóxicos.


Se responsabilize por suas escolhas!


Consciência é repensar nossas ações e encontrar sempre a melhor solução para nossa vida e a do nosso entorno.

Isso vai muito além do discurso sobre dinheiro, é sobre quem realmente somos e o quanto nos importamos com os demais.



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