• Cristina Horst

COMO SAIR DAS DÍVIDAS


Falar de dívida é um assunto delicado porque os motivos que a fizeram surgir nem sempre são agradáveis. Mas nem por isso precisa ser um assunto do qual você se envergonhe, porque essa carga emocional só vai te atrapalhar no processo. As dívidas precisam se entendidas e encaradas, para que você possa criar um plano de saída que realmente funcione.


Então vamos começar do começo: o que fez com que você estivesse nessa situação hoje em dia? É essa reflexão que vai apontar para os comportamentos que precisam ser trabalhados, pois se eles não mudarem, você pode até sair das dívidas, mas logo voltará ao mesmo patamar, isso se não for a um estágio ainda mais grave.


Alguns comportamentos comuns que levam ao endividamento:

- gastar mais do que recebe, ignorando a sua capacidade de pagamento;

- fazer planos que consideram apenas o cenário super positivo, ignorando que imprevistos podem acontecer no caminho; e

- emprestar “o nome” a alguém que não cumpriu o combinado.


Seja lá qual for o seu caso, é importante ter em mente que a sua vida financeira pertence a você, e que independente do que tenha acontecido no passado, para mudar o futuro você precisa mudar o modo como age hoje.



Por onde começar?

É essencial que primeiramente reequilibremos o orçamento. Você precisa conhecer os seus gastos e comprometimentos mensais para saber quanto terá disponível para começar a quitação dessas dívidas.

A maneira mais rápida de fazer isso é anotar todos os seus gastos mensais e verificar quanto que sobra para essa quitação.

Segundo o modelo 70/30, que eu sempre recomendo que vocês utilizem para a sua organização orçamentária, o valor comprometido com a quitação das dívidas deve estar no máximo em 30% da sua renda, para que você consiga custear as sua vida com os outros 70% restantes.

Se depois dessa análise você perceber que não tem dinheiro suficiente para começar a quitação, terá que escolher um desses caminhos: diminuir os gastos ou fazer renda extra. Se conseguir fazer os dois, melhor ainda!

Depois que você conhecer qual valor conseguirá destinar a quitação das dívidas, vamos montar a sua estratégia de quitação!



E como fazer pra se livrar das dívidas?

A estratégia de quitação passa por 3 passos básicos: listar, priorizar e agir.


1. Listar

Você deve começar listando todas as dívidas e colhendo as informações principais como: o valor total, a taxa de juros, a multa por atraso, o motivo da dívida, o número e o valor das parcelas.


2. Priorizar

Depois de listar é hora de organizar as dívidas por ordem de prioridade de quitação:

1. Dívidas atreladas ao seu consumo básico, que são aquelas que vão garantir as suas condições mínimas de sobrevivência, como alimentação e moradia. Sem garantir o mínimo para sobreviver, nada mais é possível.

2. As próximas são aquelas que têm bem atrelado, como casa, carro, financiamento, condomínio, etc. Isso porque pode chegar o momento em que esse seu bem pode se tomado para quitar essas dívidas, por isso a prioridade essa quitação também é extremamente alta.

3. Depois disso virão as dívidas que tem o menor valor total para quitação e por último as dívidas de menor parcela. E aqui entra todo o resto como as dívidas do cartão de crédito, cheque especial, empréstimo de amigos e parentes, etc.


3. Agir

Agora que você já sabe qual é a sua capacidade de pagamento, ou seja, de quanto você dispõe para iniciar a quitação das dívidas e conhece por qual dívida irá começar a quitação, é hora de escolher a melhor opção do mercado.


A escolha dessa opção exige análise e comparação entre as opções do mercado, que podem ser:

- portabilidade: que é a transferência do seu contrato de crédito (sua dívida) de uma instituição financeira para outra que tenha condições mais atrativas para pagamento. Aqui é quando você opta por trocar uma dívida mais cara, com taxas de juros mais elevadas, por uma mais barata, com taxas menores. Para isso você precisa conhecer as opções do mercado e analisar as alternativas com calma para entender se esse será mesmo um bom negócio para você.

- renegociação: aqui existe a possibilidade tanto de quitação do saldo total ou abatimento parcial da dívida, quanto da estratégia de diminuição de taxa de juros. Essa segunda opção dá certo especialmente se quando você contraiu a dívida as taxas estavam mais elevadas que no momento atual. Mais uma vez as análises são fundamentais. E muito cuidado: lembre-se de avaliar sempre o custo efetivo total dessa negociação, ou seja, o somatório de quanto que tudo isso vai custar, porque as vezes podemos nos enganar ao ver uma parcela menor, mas com um prazo super estendido e achar que está ficando de fato mais barato por considerarmos apenas a parcela e não o montante total.

- quitar aos poucos: aqui você precisa de paciência e manter o foco na sua estratégia. Nem todas as dívidas estarão quitadas no curto prazo e a estratégia de pagamento adotada poderá exigir que você permaneça um tempo com o seu nome negativado, pois não será possível pagar todas as dívidas de uma vez só.


Nome negativado

Ter o nome negativado nas listas dos órgãos de proteção ao crédito significa que pelo tempo em que seu nome permanecer lá, você não terá acesso a empréstimos, financiamentos, abrir conta corrente ou adquirir um novo cartão de crédito. Em outras palavras: é uma proteção para você e para as empresas, já que você estará protegido de fazer novas dívidas e assim se complicar ainda mais.

E fique atento: não existe nenhuma dívida que não possa ser paga! O que existe é estratégia e o momento certo de negociar. Mas isso não significa que seja um processo rápido e fácil, pelo contrário, leva tempo e vai exigir que você saia da sua zona de conforto e faça uma programação realista.


Como funciona a dívida com os bancos

Se a sua dívida for com o banco, fique atento porque essas instituições têm a reserva PDD - “Provisão de Devedores Duvidosos”, criada pra custear os possíveis calotes. Mas esse número não pode ser muito alto porque atrapalha o desempenho do banco, reduzindo o lucro das instituições. Por isso é comum que os bancos continuem tentando renegociações para diminuir a perda, mesmo depois de passado um bom tempo de inadimplência. Lembra quando eu disse que não existe dívida impossível de ser paga? O que geralmente acontece é que a sua dívida primeiro fique gigante e depois entre em uma curva de negociação. Se esse for o seu caso, fique atento que a chance de uma boa negociação pode surgir!



Dívida caduca?

Não existe isso de dívida caducar, o que acontece é que depois de 5 anos a dívida prescreve, ou seja, não irá mais aparecer nos cadastros de proteção ao crédito. Mas a dívida continua existindo, os juros continuam correndo e a empresa pode continuar te cobrando. A empresa credora tem o prazo desses 5 anos para acionar uma cobrança judicial, caso ela faça isso o prazo de 5 anos deixa de existir e passa a contar o prazo de duração desse processo. Caso ela não te acione judicialmente poderá continuar te cobrando até que aconteça o pagamento.


Fazer empréstimo pra pagar uma dívida é uma boa?

Pode sim ser uma boa, mas pra saber essa resposta você precisa fazer contas e analisar o custo efetivo total da transação, ou seja, conhecer exatamente quanto vai te custar esse empréstimo e comparar isso com o custo da dívida atual. Lembre-se de analisar também o a relação tempo x valor para não cair na armadilha das parcelas mais baixas por um tempo muito mais longo. E a regra aqui é a mesma: as parcelas precisam caber no seu bolso, dentro do que você definiu que será destinado à quitação de dívidas sem comprometer a sua capacidade de pagamento.


Devo quitar dívidas ou começar a investir?

O ideal é formar a sua reserva de emergência enquanto você paga as dívidas. Pensa aqui comigo: se você comprometer todo o seu orçamento com seus custos de vida mensal e com a quitação das dívidas, o que vai acontecer se surgir algum imprevisto financeiro, como por exemplo: queimar a geladeira? A chance desse imprevisto bagunçar toda a sua organização e te levar pra inadimplência novamente é grande.

Dessa forma, na montagem do seu plano de quitação o seu orçamento deve contemplar o custeio da vida, a quitação das dívidas e o investimento para a reserva de emergência. A definição dos percentuais para cada um desses itens vai variar de acordo com a sua realidade e como sugestão deixo aqui o percentual de 60 a 70% para os custos de vida, 20 a 30% para o custeio de dívidas e 10% para a formação da sua reserva.


Qual a diferença entre gasto e dívida?

- Gastos: é toda a despesa que está ligada à aquisição de um bem ou serviço, como comida, roupa ou um móvel.

- Dívida: é um compromisso financeiro que você assumiu no passado, independente do objetivo ou da utilização, você precisa pagar, como por exemplo parcelas do cartão de crédito e financiamento estudantil ou imobiliário.

Atenção: o gasto pode se transformar em dívida se você não pagá-lo em dia!

Pense nessa diferenciação na hora de priorizar seus pagamentos.

Lembre-se: quanto menos atraso nos pagamentos, menos dinheiro desperdiçado com juros.


Dicas importantes:

- Se o orçamento estiver muito limitado, monte o seu plano de quitação em etapas, começando pelas dívidas com maior prioridade.

- Além de rever os seus gastos essenciais buscando sua otimização, considere outras opções para a geração de receita, como buscar formas de renda extra e se for o caso, até mesmo se desfazer de algum bem.

- Não adianta negociar suas dívidas se você não tiver clareza da sua vida financeira, conhecer a sua realidade atual e sua capacidade de pagamento. São essas as informações que devem embasar a formação da sua estratégia de negociação.

- A decisão de realizar portabilidade ou renegociação deve estar completamente embasada na sua capacidade de pagamento mensal. Não adianta olhar isso com um otimismo extremo, pois imprevistos acontecem e a consequencia pode ser muito pior.

- Negociações apressadas podem repetir os mesmos erros que levaram à inadimplência.

- Monte seu planejamento de quitação de dívidas e mantenha-se firme nele.


Tão importante quanto sair das dívidas é cuidar para não voltar para elas!

Sucesso na jornada, até a próxima!


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